Minha cabeça parece ter 50 abas abertas — existe um jeito de fechar algumas?

8  minutos de leitura

Sua cabeça parece ter 50 abas abertas? Um convite para olhar para a mente cheia sem tentar resolver tudo de uma vez.
Quando a cabeça parece ter cinquenta abas abertas, o caderno pode ser um grande aliado.

Você deita para dormir. Fecha os olhos.

E, em vez de o dia acabar, parece que ele começa de novo, é uma sensação desgastante. Parece que o dia não quer se acabar.

Uma mensagem que ficou sem resposta. Uma conversa que continua acontecendo na sua cabeça num verdadeiro loop. Uma decisão que você ainda não tomou.

Antes de terminar de pensar em uma coisa, outra já chegou.

Uma mente cheia pode parecer assim: como se existissem “cinquenta abas abertas ao mesmo tempo” — li isso em um comentário certa vez e quis escrever sobre alguns recursos, que funcionam para mim, e gostaria de compartilhar com as queridas leitoras.

Acredito que a mulher que escreveu isso não deve se lembrar de ter aberto a maioria dessas abas.

A pergunta não é, necessariamente, como desligar a mente. Eu nem sei se isso seria possível.

A pergunta pode ser outra: será que todas essas abas pedem o mesmo movimento de mim agora?

Quando a mente cheia faz tudo parecer urgente

Uma mensagem simples pode ocupar o mesmo espaço que uma decisão importante.

Uma preocupação que ainda nem aconteceu pode parecer tão urgente quanto algo que realmente precisa ser resolvido.

E isso cansa.

Não apenas porque existem muitas coisas para fazer. Mas porque parece não sobrar espaço para terminar um pensamento antes que outro comece.

Para algumas pessoas, essa experiência aparece como uma tela cheia. Para outras, como uma lista que não para. Pode vir em forma de palavras repetindo na cabeça ou de uma inquietação no corpo que ainda não encontrou nome.

Cada pessoa vive isso de um jeito.

Mas, quando começamos a perceber como essa experiência aparece, ela ganha contorno. Não desaparece por causa disso. Só deixa de ser uma coisa sem nome ocupando tudo.

As abas não são você inteira

Quando eu digo que estou com cinquenta abas abertas, eu sei que não existem cinquenta coisas iguais pedindo atenção.

Existe uma imagem que me ajuda a mostrar como estou me sentindo.

E, quando paro para olhar para essa imagem, alguns detalhes começam a aparecer.

Essa tela parece perto ou longe? Ela ocupa tudo? Há uma aba chamando mais atenção que as outras?

Não é para mudar nada. É só para perceber.

Porque, quando consigo olhar para a tela, lembro de uma coisa importante: eu não sou as abas abertas. Eu também sou quem está olhando para elas.

Às vezes, a tela não está tão cheia quanto parecia. Ela estava perto demais.

Outras vezes, existe uma única aba tomando o espaço de todas as outras. E reconhecer isso já muda a pergunta: em vez de tentar responder a tudo, posso simplesmente notar o que está pedindo atenção em mim agora.

Antes de resolver, parar um pouco

Quando isso acontece comigo, antes de ir para o caderno ou tentar entender qualquer coisa, eu fecho os olhos.

Na minha tela mental, eu visualizo o escuro. Às vezes, tem um ponto de luz lá no fundo dessa escuridão.

Eu não tento alcançar esse ponto. Não tento fazer crescer. Não tento descobrir o que ele significa.

Só percebo que ele está ali e fico um pouco nesse escuro, respirando mais devagar.

Para outra pessoa, podem vir imagens, uma lista, palavras ou nenhuma imagem. Não existe uma forma certa de perceber a própria experiência.

A pergunta que pode acompanhar esse instante é simples:

É uma tela? Uma voz? Uma sensação no corpo? Uma mistura de tudo isso?

Essa pergunta não serve para organizar a experiência depressa. Ela serve para não deixar tudo continuar misturado.

Depois de perceber, não é preciso fazer nada imediatamente.

Nem organizar. Nem escolher. Nem tomar uma decisão.

Escrever no caderno sem saber antes o que vai sair

Depois disso, às vezes eu vou para o meu caderno.

E, às vezes, eu nem sei o que vou escrever.

Mas aí eu respiro. E, de repente, já sei o que quero escrever.

Aí vou escrevendo qualquer coisa. Sem me preocupar se está errado, se está certo. Sem julgamento nenhum.

Muitas vezes, sinto que colocar aquilo no papel me ajuda a esvaziar um pouco a mente. Seja o que for.

Pode ser um desenho. Uma palavra. Uma frase que ainda não faz sentido. Só alguns riscos no papel.

O papel não precisa devolver uma resposta. Não precisa dizer o que estou sentindo. Nem transformar aquela experiência em algo bonito, organizado ou pronto.

Quando alguma coisa sai de dentro e encontra o papel, consigo olhar para ela de outro lugar.

Não estou só dentro do pensamento. Existe uma distância pequena entre mim e aquilo.

E essa distância não é afastamento de mim mesma. É uma forma de me escutar.

No PAUSA, essa mesma ideia aparece como um convite de presença, não como mais uma tarefa para cumprir.

Nem toda aba precisa ser fechada agora

Depois, se alguma coisa realmente precisar da minha atenção, eu posso voltar para ela.

Mas não preciso voltar para todas.

Uma aba pode ser uma decisão concreta. Outra, uma conversa que ainda não sei como ter. Outra pode ser uma preocupação que não consigo resolver hoje.

E pode existir algo que só está ali porque ainda não encontrou espaço para ser sentido.

Quando tudo está misturado, tudo parece pedir resposta. Mas as coisas não têm o mesmo tamanho, nem o mesmo tempo, nem a mesma urgência.

Uma pode esperar até amanhã. Outra pode pedir apenas que você anote, para não precisar continuar lembrando. Outra pode precisar de alguns minutos de silêncio antes que você perceba se ela merece mesmo esse espaço todo.

Não estou falando de ignorar o que importa.

Estou falando de não se abandonar tentando responder, agora, a tudo o que apareceu.

O texto A Necessidade da Pausa nos Tempos de Hoje aprofunda essa conversa sobre os intervalos que a rotina pede antes que a gente consiga nomear o que está acontecendo.

Uma forma mais possível de voltar para si

Hoje à noite, quando você deitar e perceber a mente cheia abrindo uma aba atrás da outra, você pode lembrar disso.

Fechar os olhos por alguns instantes.

Perceber como essa experiência aparece.

E lembrar que a tela não é você inteira. Ela é uma imagem de alguma coisa que está acontecendo agora.

Você continua sendo quem olha. Quem respira. Quem pode não resolver tudo naquele minuto.

Nem toda aba precisa ser fechada na mesma hora.

Algumas precisam de uma decisão.

Outras precisam de tempo.

E algumas só precisam parar de ocupar a tela inteira.

Se você quiser continuar essa conversa

A Travessia | Sentir para Entender é um espaço para quem deseja se escutar com mais presença e gentileza. A lista de espera não cria compromisso.

Se você sentir que este momento pede um espaço individual, também pode conhecer o Atendimento de Reorganização Energética.

Nota de cuidado: este texto é reflexivo e não substitui acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou médico. Se algo estiver intenso demais, procurar apoio profissional também é uma forma de cuidado. Se você precisar conversar, o CVV oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.

Como essa experiência costuma aparecer para você?
Se quiser partilhar a sua percepção, podemos continuar essa conversa lá no Instagram:

Assista também ao vídeo

Também levei essa conversa para o YouTube. Nele, eu aprofundo essa sensação de mente cheia, as cobranças que continuam aparecendo quando tentamos descansar e a forma que encontrei de parar um pouco, observar o que está passando e dar um lugar para isso no caderno.

Agradeço imensamente por ter me acompanhado até aqui. ❤️
NAMASTÊ!

© Janice Cata Preta | Conteúdo Original e Autoral. Este texto nasce de um mergulho profundo em estudos e experiências sobre a alma feminina e o fluir emocional. Fico feliz com o seu interesse em compartilhar, mas peço que entre em contato comigo antes de qualquer reprodução. Vamos conversar sobre como essa mensagem pode ser difundida com ética e respeito à fonte original em janicecatapreta.com.br.

Posts Similares