Mestres do Universo, Pertencimento e a Força que sempre esteve dentro de Nós

⚠ Atenção: este artigo contém spoilers do filme Mestres do Universo. Se você ainda não assistiu e quer viver a experiência sem antecipações, recomendo ver primeiro. Vale cada minuto.
No dia 4 de junho assisti a Mestres do Universo — e fui surpreendida.
Não pelas batalhas. Não pelos poderes.
Mas por uma viagem inesperada à minha própria infância.
Eu já gostava do desenho do He-Man quando era criança. Era um daqueles universos que despertavam a imaginação e traziam mensagens sobre coragem, amizade, propósito. Ao assistir ao filme, senti que muito dessa essência foi resgatada com cuidado.
E talvez tenha sido justamente isso que mais me tocou.
Mais do que espadas ou poderes extraordinários, a história fala sobre algo que muitos de nós conhecemos de perto: a sensação de não pertencer.
Adam e a sensação de ser diferente
No filme, acompanhamos a trajetória de Adam, príncipe de Eternia.
Desde pequeno, ele era diferente dos outros garotos. Menor, mais franzino, sem a força física que todos esperavam dele. Enquanto seu pai, o rei, desejava vê-lo se tornar um grande guerreiro, Adam parecia carregar outras qualidades — menos visíveis, mas igualmente reais.
Essa diferença fazia com que ele se sentisse inadequado.
Na sua percepção, o pai o via como um fracasso.
Então acontece a guerra em Eternia e Adam acaba vindo para a Terra. Uma das partes que mais gostei foi justamente o contraste entre os dois mundos.
Aqui, ele vai trabalhar com pessoas.
Aprende a ouvir.
Aprende a acolher.
Aprende que muitos problemas não se resolvem pela força — mas pelo diálogo.
Sua própria chefe reconhece isso nele: as pessoas gostam de sua presença porque ele é receptivo, empático e sabe cuidar dos outros.
Mas havia um problema.
Adam nunca conseguia esquecer quem realmente era.
Enquanto todos ao seu redor achavam suas histórias absurdas, ele continuava falando sobre Eternia, sobre sua origem, sobre a espada que um dia o levaria de volta para casa.
As pessoas riam.
Duvidavam.
Zombavam.
Mesmo assim, ele continuava firme naquilo que sentia.
E essa parte mexeu muito comigo.
Quando você se sente um peixe fora d’água
Durante muitos anos da minha vida, eu me senti exatamente assim.
Um peixe fora d’água. Ou talvez o famoso patinho feio.
Eu me sentia diferente das outras pessoas. Mas, ao contrário de Adam, muitas vezes tentei esconder essa diferença — principalmente na adolescência.
Quem já passou por essa fase sabe como o sentimento de pertencimento pode ser intenso. O adolescente quer fazer parte de um grupo. Quer ser aceito. Quer encontrar sua tribo.
E, muitas vezes, para conseguir isso, começa a abandonar partes de si mesmo.
“Muitas vezes, para conseguir pertencer, começamos a abandonar partes de si mesmo.”
Vai se moldando.
Vai se adaptando.
Vai criando máscaras.
Carl Jung falava justamente sobre isso — sobre as personas que desenvolvemos para sermos aceitos em diferentes ambientes: na escola, no trabalho, na família, nos relacionamentos.
O problema é que, quando fazemos isso por tempo demais, começamos a nos afastar de quem realmente somos.
E isso cobra um preço.
O encontro com quem eu realmente sou
Com o passar dos anos, fui percebendo que algumas coisas simplesmente já não faziam sentido para mim.
Foi então que comecei a buscar atividades que despertavam algo verdadeiro dentro de mim.
Uma dessas descobertas aconteceu por volta dos meus 30 anos: a dança.
A dança me ajudou em muitos aspectos da minha vida.
Ajudou nos relacionamentos.
Ajudou no contato com minha energia masculina: Yang.
Ajudou a sair do papel de vítima que, durante muito tempo, eu havia assumido sem perceber.
Aos poucos, fui encontrando pedaços de mim que estavam escondidos.
Pedaços que nunca tinham sumido — apenas esperavam para ser reconhecidos.
A espada nunca foi a fonte da força
Voltando ao filme, há uma mensagem que considero uma das mais bonitas de toda a história.
Adam acredita que seu poder está na espada.
Afinal, é através dela que ele se transforma. É através dela que ele acessa sua força.
Mas, em determinado momento, a espada é destruída. Ela se estilhaça.
E, naquele instante, Adam acredita que tudo acabou.
Sem a espada, ele pensa que não poderá proteger ninguém. Que falhou. Que perdeu sua razão de existir.
É justamente nesse momento que vem a grande revelação.
A Feiticeira o lembra de que ele não foi escolhido por causa da espada.
A espada era apenas um instrumento.
Quem foi escolhido foi ele.
“A força nunca esteve no objeto. A força sempre esteve dentro dele.”
E talvez essa seja uma das maiores lições que podemos levar para a vida
Quantas vezes acreditamos que somos aquilo que disseram sobre nós?
Muitas pessoas cresceram ouvindo que não eram capazes.
Que não eram inteligentes o suficiente.
Bonitas o suficiente.
Fortes o suficiente.
Importantes o suficiente.
Outras passaram por bullying. Foram rejeitadas. Ridicularizadas. Julgadas.
E, aos poucos, começaram a acreditar que aquelas opiniões definiam quem elas eram.
Mas não definem.
Assim como Adam passou anos acreditando que era um fracasso — porque interpretava dessa forma as expectativas do pai — muitos de nós carregamos histórias que nunca paramos para questionar.
Até que um dia algo dentro de nós pergunta:
Será que essa narrativa é mesmo verdade?
Ou é apenas uma interpretação construída ao longo do caminho?
“Não somos aquilo que os outros dizem que somos. Somos muito maiores do que qualquer rótulo.”
O que o desconforto está tentando te mostrar
Foi exatamente essa reflexão que o filme despertou em mim.
Quando algo que alguém diz nos afeta profundamente, vale pausar e perguntar:
O que isso está me mostrando sobre mim mesma?
Porque, muitas vezes, o desconforto não está na fala do outro.
Está na ferida que aquela fala tocou.
E é aí que mora uma grande oportunidade de autoconhecimento.
Ao invés de reagir automaticamente, podemos:
- Pausar — antes de responder, antes de agir
- Sentir — o que está acontecendo no corpo, não só na mente
- Observar — sem julgamento imediato
- Entender — o que essa situação está revelando
Esse é um exercício que tenho praticado cada vez mais.
E quanto mais faço isso, mais percebo que não somos aquilo que os outros dizem que somos.
Somos muito maiores do que qualquer rótulo, do que falaram a nosso respeito.
O poder que existe dentro de cada um de nós
A mensagem que ficou para mim depois de assistir Mestres do Universo é simples, mas profunda.
Existe uma força dentro de nós, da nossa essência, do nosso SELF.
Uma força que nem sempre enxergamos.
Uma que muitas vezes fica escondida sob camadas de medo, insegurança, rejeição e dúvida.
Mas ela está lá.
Esperando ser reconhecida.
Os desafios da vida não surgem para nos destruir. Eles nos lapidam. Nos ajudam a crescer, a desenvolver autocompaixão, a construir limites saudáveis, a aprender a nos amar de forma mais verdadeira.
“Talvez o maior desafio não seja encontrar uma espada mágica. Talvez seja encontrar a coragem de olhar para dentro.”
É nesse lugar que mora a nossa verdadeira força.
Uma pausa, um convite
Foi acreditando nesse processo que venho desenvolvendo o programa Sentir para Entender.
Muitas vezes sabemos que precisamos olhar para dentro — mas não sabemos por onde começar.
Por isso também trabalho com processos de reorganização energética — um espaço para acalmar a mente, ampliar a percepção e abrir caminho para o que já está dentro de você, esperando espaço para emergir.
Aqui no blog continuo compartilhando reflexões sobre autoconhecimento, inteligência emocional, espiritualidade e expansão da consciência — sempre com o objetivo de acompanhar quem está nessa jornada de volta para si mesmo.
🎬 Sobre o filme
Assista a Mestres do Universo nos cinemas — ainda em cartaz. Uma história que vai muito além da nostalgia.
Se este texto fez sentido para você, saiba: você não está sozinha.
Sua força pode estar escondida neste momento.
Mas ela continua aí.
Esperando que você a reconheça.
Agradeço imensamente por ter me acompanhado até aqui. ❤️
NAMASTÊ!
© Janice Cata Preta | Conteúdo Original e Autoral. Este texto nasce de um mergulho profundo em estudos e experiências sobre a alma feminina e o fluir emocional. Fico feliz com o seu interesse em compartilhar, mas peço que entre em contato comigo antes de qualquer reprodução. Vamos conversar sobre como essa mensagem pode ser difundida com ética e respeito à fonte original em janicecatapreta.com.br.
