Dia das Mulheres: Uma Homenagem às que Vieram Antes de Nós

✍️ Nota: Este é um conteúdo 100% autoral, original e criado por Janice Cata Preta para o blog janicecatapreta.com.br.
Hoje fiquei pensativa sobre o dia 08 de março: O Dia Internacional das Mulheres é tão significativo quanto o Dia do Trabalhador ou o Dia da Paz — e, no entanto, muitas vezes passa sem a profundidade que merece. Para mim, ele é, acima de tudo, um convite para olhar com gratidão e consciência para a nossa ancestralidade feminina — tudo que as mulheres que vieram antes de nós carregaram para que hoje possamos estar aqui.
Você já parou para notar que a maioria dos feriados do calendário brasileiro homenageia homens que tiveram a coragem de agir? E que as mulheres que estavam ali, articulando, sustentando e transformando, costumam aparecer apenas nas entrelinhas?
É sobre isso que quero conversar com você hoje. Como praticante de reorganização energética e estudiosa da ancestralidade, sei o quanto essa conversa vai além de uma celebração anual — ela toca em quem somos, no que carregamos e no que podemos escolher transformar.
A mulher sempre esteve lá. Muitas vezes escondida atrás de homens de “boa vontade”, como se a história coubesse apenas a eles.
Um exemplo que não consigo deixar de mencionar: atrás de Villa-Lobos — hoje celebrado como o maior compositor brasileiro de todos os tempos — havia Lucília Guimarães Villa-Lobos. Pianista talentosa, foi ela quem tocou suas composições quando ninguém o conhecia, quem ajudou a sustentar financeiramente os primeiros anos da sua carreira e quem acreditou no seu gênio antes de qualquer outro. Quando a fama chegou, ele a abandonou. A história guardou o nome dele. O dela, quase ninguém sabe.
“Isso me faz refletir sobre o quanto ainda naturalizamos esse apagamento. E sobre o quanto ele ainda ressoa em nós.”
As mulheres invisíveis da nossa história
Imagine o turbilhão emocional das mulheres que saíram das senzalas depois da abolição. Muitas estariam grávidas. Outras carregariam filhos pequenos nos braços — ou a dor de tê-los perdido. Algumas tinham sido mutiladas, humilhadas, separadas de seus pais, irmãos, companheiros. Saíram com o corpo livre, mas com o coração e a mente marcados por tudo que viveram.
Essa é a verdade sobre nossa ancestralidade feminina. Uma ancestralidade que sofreu, foi subjugada e deixada à própria sorte — e que, ainda assim, encontrou formas de continuar.
“Nossa ancestral não se permitia ser feliz porque nunca havia aprendido o que era segurança. Ela sobrevivia — porque era o que sabia fazer.”
A Herança que carregamos no DNA
Nossas avós e bisavós aprenderam que precisavam trabalhar até sangrar para ter uma vida digna. A felicidade não era uma expectativa — era um luxo distante. Elas viviam para sobreviver.
“As mulheres que nos antecederam carregavam latas de água na cabeça para fazer a sopa do filho doente. Sustentavam mundos invisíveis com mãos que nunca descansavam.”
Ensinavam as crianças a ler nas fazendas onde seus pais trabalhavam. Eram aquelas que, mesmo sem nome na história, mantinham tudo de pé.
Seguindo a abordagem de Bert Hellinger sobre consciência familiar, entendo que muitas dessas mulheres conseguiram romper com a bolha ancestral — aquelas que agiram pela “má consciência”, quebrando o paradigma cultural da sua linhagem para seguir um chamado mais profundo.
As que tiveram a coragem de romper
Tenho uma tia-avó que saiu de uma pequena cidade do Vale do Mucuri para conquistar a São Paulo nos anos de 1940. Imagino que não deve ter sido confortável deixar sua família de origem para trás — mas ela o fez.
Seguiu a carreira de Enfermagem. Era orgulhosa do que construiu. Viveu longos anos de sua vida em seu apartamento quitado às margens da Avenida Paulista, próximo ao MASP. Estava, com certeza, à frente do seu tempo.
“Pode ser que você também tenha alguém assim na sua família — alguém que rompeu os laços da incapacidade de voar e adquiriu a clareza emocional necessária para seguir um sonho.”
O que podemos fazer hoje com essa Herança
O Dia das Mulheres, ao meu ver, é para celebrar as mulheres do nosso passado. Não para julgá-las — longe disso. Mas para reconhecer que tudo que elas viveram está inscrito em nós, nas nossas crenças, nos nossos padrões, na forma como nos relacionamos com o mundo e conosco mesmas.
As crenças que elas nos deixaram de que podemos seguir adiante. E também as crenças da não permissão, da incapacidade, do auto julgamento.
Hoje temos direitos que elas nunca tiveram. Hoje podemos fazer diferente. E isso começa por olhar com clareza para o que carregamos — e escolher o que queremos continuar carregando.
Muitas vezes, o que sentimos como uma ferida pessoal é, na verdade, um eco de gerações passadas. Entender como essa herança influencia nossa dor da rejeição e o medo de não pertencimento é o primeiro passo para a cura.
Antes, eu não entendia porque era tão importante darmos atenção à nossa ancestralidade feminina. Mas através da minha formação, compreendi que ela tem tudo a ver com quem somos — e explica porque tantas vezes estamos travadas, submersas em crenças que não nos deixam ver o quanto somos seres únicos e importantes na rede divina.
“Por tudo que elas passaram, hoje podemos fazer diferente. Esse é o presente mais bonito que podemos dar às que vieram antes de nós.”
Você também quer romper com padrões ancestrais?
E você? É tão curiosa no assunto de ancestralidade como eu fui? Ou já possui algum conhecimento que queira compartilhar?
Estou te esperando para conversar. Se essa leitura fez sentido para você — ou se deseja começar a sua própria travessia da Essência — agende uma sessão de Reorganização Energética aqui. Será um prazer caminhar ao seu lado nesse processo.
Ao honrar nossa história, deixamos de carregar pesos que não nos pertencem. Esse movimento traz a clareza emocional necessária para aceitar e fluir com a nossa própria vida, sem as amarras do passado.
Essa teia invisível que nos conecta às nossas raízes muitas vezes se manifesta de forma simbólica, especialmente quando silenciamos o racional. Se você sente que sua intuição e suas noites guardam mensagens que ainda não foram decifradas, convido você a ler meu texto sobre o que os sonhos dizem sobre nós e como eles revelam nosso mundo interno.
Para encerrar nossa jornada pela ancestralidade feminina, deixo que o meu coração fale diretamente ao seu através destes versos que transcrevi da minha própria alma…
A clareza de ser mulher
Mulheres avós, mulheres filhas, mulheres mães,
mulheres sempre mulheres
aquelas com graça
aquelas amorosas
aquelas que vivem
a graça de serem elas
de serem quem não se é
Mulheres que vivem pelos
filhos, pelos netos,
que não são.
O ser se perdeu em
algum momento de
vida ou talvez desde
o início.
Tiro o chapéu para todas
essas mulheres que
sobreviveram nesse
Universo caótico, onde
o Bem-estar é luxo.
E digo agora para todas
essas mulheres:
“Eu as vejo, Deus as vê”.
Talvez você não saiba
Você tem muito valor
Você é flor nesse mundo
onde há caos.
Qual das vozes que vieram antes de você ainda busca por ‘clareza’ no seu coração hoje?
Que este Dia das Mulheres seja o despertar da sua própria essência. Sinta-se vista.
Quer saber mais sobre a minha trajetória e como cheguei a esse trabalho? Conheça minha história na página Sobre.
Agradeço imensamente por ter me acompanhado até aqui. ❤️
NAMASTÊ!
© Janice Cata Preta | Conteúdo Original e Autoral. Este texto nasce de um mergulho profundo em estudos e experiências sobre a alma feminina e o fluir emocional. Fico feliz com o seu interesse em compartilhar, mas peço que entre em contato comigo antes de qualquer reprodução. Vamos conversar sobre como essa mensagem pode ser difundida com ética e respeito à fonte original em janicecatapreta.com.br.
