O ego como propulsor da nossa evolução

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Ilustração em aquarela no estilo botânico de uma criança pequena (representando o Ego) segurando a mão de uma figura feminina guia e luminosa (representando o Self), caminhando por uma trilha suave cercada por flores e folhagens em tons de rosa, pêssego e terra.
O ego não é o inimigo; ele é apenas a parte de nós que precisa de uma mão segura para atravessar a vida com confiança.

Muita gente que inicia a jornada de autoconhecimento começa pelo Reiki — e eu fui uma dessas pessoas. Lembro com nitidez de uma cena: minha mestre respondendo a um aluno sobre o que é o ego. Na época, eu ainda não conseguia compreender a profundidade da explicação dela. Ela dizia que o ego não era ruim, mas a carga emocional com que o descrevia soava como se falasse de algo indesejável. Pelo menos foi assim que recebi, naquele tempo. Saiba mais sobre minha jornada aqui

Com os anos, fui encontrando Carl Jung — que estudou profundamente as estruturas e o funcionamento do ego. Assisti vídeos, li artigos, e a temática continuava aparecendo. Até que fiz a pós-graduação em Psicologia Analítica com ênfase em mitologia, contos e artes, e tudo começou a fazer sentido de outro lugar.

Hoje quero te contar o que aprendi — usando o conhecimento de livros que vão além de Jung — e, principalmente, como podemos conversar com esse ego para que ele compreenda a própria grandiosidade e nos ajude no dia a dia.

Se depois de ler esse artigo surgir alguma dúvida, me manda no Instagram — o link está no final. Adoro saber quando algo tocou a alma de alguém. Seu questionamento pode virar o próximo post.

Vamos juntas?

Passaram-se seis anos desde as primeiras vezes que ouvi falar sobre o ego. E hoje consigo perceber, com muito mais clareza, quando ele está agindo — e como a análise pessoal tem me ajudado a lidar com meus próprios limites e a expandir minha consciência diante das crenças que aprisionam o Self.

Adoro exemplos do cotidiano. Eles tornam o conhecimento teórico tangível — e o que não conseguimos tocar, dificilmente conseguimos transformar.

Pensa comigo: facilmente acontece conosco — e comigo também, no passado com muito mais frequência — o surgimento dos chamados pensamentos intrusivos. Aqueles que chegam em loop, de modo frenético, carregados de possibilidades desastrosas. E quando acreditamos que o caminho será fatalmente terrível, ficamos presas nesse estado por muito tempo, e mais pensamentos sombrios vêm reafirmar que tudo dará errado.

Há uma frase do filme Uma linda mulher (1990) que sempre ecoa na minha cabeça nesses momentos. A Vivian Ward, personagem de Julia Roberts, diz:

É uma frase simples, mas profunda. Ela carrega crenças que nos jogam para baixo — e revela como o ego, sem a orientação do Self, pode nos aprisionar.

Às vezes estamos tão absorvidas pelo drama da nossa existência que não conseguimos dar uma olhada em nós mesmas com o olhar imparcial que revela soluções práticas — às vezes até de fácil resolução.

Aqui vai um exercício simples: imagine que você é uma amiga de alguém que está passando por uma dificuldade enorme. O que você diria a ela? Provavelmente lhe daria esperanças, lembraria que tudo tem solução, que ela é mais forte do que pensa. Pois bem — o que você diz a essa amiga pode ser exatamente o que você precisa ouvir de si mesma.

Já aconteceu isso com você?

O que a psicologia junguiana nos ensina sobre o ego

Através do estudo da psicologia junguiana, podemos entender o ego como o centro da consciência — um dispositivo psíquico essencial para nossa experiência na matéria. Ele vive encapsulado pela vastidão do inconsciente e é governado pelo Self.

Nesse sistema, o ego atua como o grande organizador da realidade exterior, criando o sentido de “eu” e nos protegendo de inundações psíquicas. Enquanto isso, estruturas internas como a anima e o animus — o lado feminino no homem e o masculino na mulher — operam como pontes entre os conteúdos do inconsciente e a consciência do ego, traduzindo os mistérios do nosso abismo interior para uma linguagem que finalmente podemos compreender.

Na prática, é assim:

Às vezes essa criança se assusta com barulhos que não entende. É aí que entram a Anima e o Animus — como uma linguagem especial que a mãe usa para explicar o mundo ao filho. Eles traduzem as lições profundas da vida em histórias e símbolos — que podem chegar através de sonhos, visões durante a meditação, ou numa prece — de modo que a criança (o ego) consiga compreender, transformando o medo do desconhecido em aprendizado e confiança.

A Jornada de Integração: os cinco estágios da relação com o ego

nfográfico em aquarela de Janice Cata Preta explicando a integração do ego. Uma criança representando o ego segura a mão de uma guia luminosa (o Self) em uma trilha botânica com 5 estágios de consciência.
O ego não é o inimigo, mas uma parte de nós que precisa de acolhimento para caminhar em segurança com o Self.

Abaixo, descrevo os estágios pelos quais passamos quando decidimos parar de lutar contra o ego e começamos a caminhar com ele:

1. A Contração

Quando algo ameaça nossa segurança ou estabilidade, o ego reage imediatamente para nos proteger. A sensação é de aperto ou retração interna — movida pelo desejo instintivo de evitar a dor. O corpo reconhece antes da mente: pode ser uma dor no peito, um aperto no coração, um mal-estar no estômago.

Ele só quer evitar a dor.

2. A Criança na Travessia

O ego, em sua solidão, tenta entender e dar conta do mundo inteiro por conta própria. O resultado é barulho demais e direção de menos — o que gera exaustão. É quando os pensamentos intrusivos chegam tão fortes que surgem ansiedade excessiva, tristeza profunda, burnout.

3. O Limite da Visão

O ego é limitado: ele enxerga apenas aquilo que foi ensinado ou condicionado a ver. A armadilha é que ele pode interpretar situações inofensivas como perigos reais, pois não conhece outra forma de reagir. Raiva do mundo, culpa lançada sobre todos, incapacidade de ver qualquer luz no fim do túnel — são sinais desse estágio.

Nem todo perigo é real — mas ele não sabe disso.

4. A Linguagem do Invisível

Aqui, o inconsciente começa a se manifestar — não pela lógica, mas através de símbolos. Sonhos, intuições e sentimentos profundos tornam-se os novos mapas para a travessia. As sincronicidades se tornam frequentes, pessoas aparecem para auxiliar, e a consciência começa a se expandir.

Sonhos, intuições, sentimentos — são mapas.

5. A Mão do Self

É o momento em que o ego deixa de caminhar sozinho e se conecta à totalidade da psique. A segurança nasce da integração. O que antes era visto como ameaça torna-se, finalmente, o próprio caminho. Compreendemos que os desafios fazem parte do nosso crescimento — e que as pessoas ao redor são espelhos, ajudando-nos a integrar partes que não conseguíamos ver porque estávamos em baixa consciência.

Atravessar deixa de ser ameaça e vira caminho.

O ego não é seu inimigo — ele é sua proteção

Há alguns dias tenho lido O Código Pleiadiano, da autora Eva Marquez, e ele traz uma perspectiva sobre o ego que condiz com tudo que venho aprendendo. A autora relata que o ego foi um dispositivo criado para que nossa alma se fixasse na matéria, no planeta Terra.

Se o ego é nossa conexão com o planeta — e nossa alma vem de Deus, da Fonte, do Universo que é tudo que existe — então essa perspectiva faz todo o sentido e acompanha o que compreendo sobre o Self nomeado por Jung: a totalidade do Ser. Somos partes d’Ele.

É o nosso ego quem nos atrai para o medo do desconhecido, para a repetição de traumas, para a vergonha, para a culpa. Sentimentos que nos levam aos mesmos tipos de situações, em loop infinito — e que, por outro lado, nos conduzem ao processo de Individuação descrito por Jung.

Por isso ele tem medo de te expor a situações desconfortáveis. E com isso, você acaba deixando de viver a vida que deseja. Se tem o sonho de pintar, evita pegar num pincel. Se quer tocar um instrumento, mantém isso como um sonho distante.

Frases como “O que as pessoas vão dizer?”, “Isso não é para mim!” ou “Quem tem dinheiro passou por cima de alguém” — essas são vozes do ego ferido, que aprendeu que o mundo é perigoso e que precisa da aprovação alheia para existir.

A boa notícia: esse ego ferido pode ser transformado. Você pode começar a se ver como alguém de grande potencial — porque você é.

Um exercício para conversar com o seu ego

O Código Pleiadiano traz um exercício que nos ajuda a compreender como o ego pensa e sente em relação a nós mesmas. Antes de continuar, vale lembrar: ler o livro faz toda a diferença para compreender a dinâmica completa — e isso tranquilizará sua mente que busca respostas o tempo todo.

No exercício, coloca-se a mão esquerda sobre o plexo solar e a mão direita sobre o coração:

“Feche os olhos e foque na respiração, permanecendo presente por 1 minuto — ou até que a sua respiração desacelere um pouco.”

Depois, imagine-se caminhando dentro do seu coração (sua alma) e percorrendo seu plexo solar (ele representa seu ego). Encontre seu ego. Você pode imaginá-lo da forma que quiser: um animal de estimação, outra versão de você, uma forma geométrica. O que importa é se conectar com ele. Converse. Pergunte o que o aflige, o que o assusta.

Eva Marquez recomenda escolher um tema por vez, mantendo as mãos nos chakras.

Numa dessas sessões, trabalhei com o tema Tempo na minha vida. Sou uma pessoa para quem o tempo pode tanto me paralisar quanto me lançar para a frente — dependendo da situação. Definitivamente não me dou bem com a sensação de pressão temporal, e isso criava conflito até nos passeios com minha família.

Perguntei ao meu ego o que o assombrava em relação ao tempo. Imediatamente fui levada a memórias antigas. Após analisar o que ele estava guardando, olhei para ele e disse que agora estava seguro — que havia espaço para as pausas, para o trabalho que dá prazer, para a inatividade criativa de onde nasce a expressão singular no mundo.

Perdoamos. Agimos com compaixão por todos os envolvidos.

Tudo isso aconteceu durante um passeio com minha Nyx, minha cachorrinha de dez anos. Era noite de quase lua cheia, a rua estava vazia, e eu fui conversando com ele — com o meu ego. Foi um momento revelador. Mais tarde, escrevi tudo num papel para não esquecer.

A conclusão: amor por si mesma não é frescura

Não estou falando de fazer as unhas. Estou falando de paciência e amor incondicional consigo mesma. De ter a consciência presente em todas as ações — e de confiar que, com o tempo, tudo se revelará.

Para quem pensa demais — como eu — é importante que tudo seja explicado. Mas há práticas como o Ho’oponopono que limpam memórias sem precisar de explicação. Para quem acredita incondicionalmente, isso funciona lindamente. Para mim, ainda preciso de Jung, dos Pleiadianos, das histórias — preciso compreender os mistérios da nossa existência para então me mover.

O Ho’oponopono me auxilia em muitos momentos. Mas a combinação dos conhecimentos é o que, para mim, faz o caminho fazer sentido.

Se quiser conhecer mais sobre como trabalho com clareza emocional e integração energética, acesse a página de Atendimento de Reorganização Energética — ficaria feliz em caminhar com você nesse processo.

Espero que o tema de hoje tenha tocado algo em você. Me conta no Instagram: @janice_catapreta — adoro saber o que ficou.

Gratidão. 🌸

NAMASTÊ 🌿

Para quem, como eu, sente que o conhecimento teórico ajuda a acalmar a mente e a dar segurança para a prática, aqui estão os livros e fontes que iluminaram este artigo:

Referências Bibliográficas

  • HALL, James A.Jung e a interpretação dos sonhos: um guia prático. São Paulo: Cultrix.
    • Obra utilizada para fundamentar a compreensão dos símbolos e do “invisível” no processo de expansão da consciência.
  • JUNG, Carl Gustav.Os Fundamentos da Psicologia Analítica (As Conferências de Tavistock). Volume 18/1. Petrópolis: Vozes.
    • Fonte primária para a definição técnica do ego como o centro da consciência e sua relação com o inconsciente.
  • MARQUEZ, Eva.O Código Pleiadiano: Um guia para o seu despertar espiritual. 2021
    • Obra que inspirou a perspectiva do ego como dispositivo de fixação na matéria e o exercício prático de diálogo com o plexo solar.
  • STEIN, Murray.Jung: o mapa da alma. São Paulo: Cultrix.
    • Referência utilizada para descrever a estrutura da psique, incluindo os conceitos de Self, Anima e Animus.
  • UMA LINDA MULHER (Pretty Woman). Direção: Garry Marshall. Estados Unidos: Touchstone Pictures, 1990. Disponível em: Disney+.
    • Filme citado pela relevância da fala de Vivian Ward sobre a facilidade em acreditar no negativo, ilustrando as crenças do ego ferido.

© Janice Cata Preta | Conteúdo Original e Autoral. Este texto nasce de um mergulho profundo em estudos e experiências sobre a alma feminina e o fluir emocional. Fico feliz com o seu interesse em compartilhar, mas peço que entre em contato comigo antes de qualquer reprodução. Vamos conversar sobre como essa mensagem pode ser difundida com ética e respeito à fonte original em janicecatapreta.com.br.

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